domingo, 9 de novembro de 2014

Caiu o muro de Berlim

Caiu o muro de Berlim vinte e cinco anos atrás. É uma efeméride feliz, principalmente para os berlinenses e todos os alemães de Leste. Para nós, ocidentais, separados das democracias populares pelo ecrã do televisor, é apenas um episódio romântico que nos agita com a memória do tempo em que existia verdadeiro antagonismo político no seio da Europa. Para os povos de Leste foi o início de uma vida em que não pesavam as cadeias do socialismo. 

A construção do muro em Berlim foi apenas um exemplo da brutalidade dos métodos empregados daquele lado da cortina de ferro. Há outros, mais ilustrativos. E não: não é necessário referir  factos conhecidos sobre os mortos do comunismo. O testemunho dos que viveram é quanto basta. A miséria, a opressão, o controlo totalitário da vida dos cidadãos - tais os frutos, tal a árvore. O colectivismo é intrinsecamente tirânico e foi-o na prática porque o é antes na teoria. 

Mas deixemos aos livros as calendas de 1989. O materialismo dominante nos nossos dias, autêntica máquina geradora de monstros, é a antecâmara de todos os colectivismos. Se quisermos olhar em redor e procurar um significado profundo para o muro de Berlim, abandonemo-lo como mote poético, tomemo-lo como sinal terrível do materialismo erigido em sistema e vejamos, com lucidez, para onde caminha a sociedade a que pertencemos.

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