terça-feira, 4 de novembro de 2014

40 anos de Juventude Popular: Requiem no São Luís



Hoje à noite decorrerá um evento significativo na vida da Juventude Popular: a comemoração pública de quatro décadas de existência, no mesmo recinto em que se realizou o seu primeiro comício. O nascimento da Juventude Centrista – nome de infância – marcou distintivamente aqueles dias de mil novecentos e setenta e quatro por se destacar como um ponto brilhante contra um pano de fundo de trevas. Aqueles jovens que a formavam não se alinharam com a vulgaridade do socialismo nem se embarricaram na defesa obstinada do passado ainda tão presente – ou, para usar uma expressão tristemente célebre, da «evolução na continuidade». Aceitaram resoluta e corajosamente os factos, sem se conformarem com a visão desoladora do país a saque do monismo colectivista. O comício de há quarenta anos deveria ter sido, pois, algo que valeria a pena presenciar. Já da comemoração que hoje à noite farão dele, há que saber: é a manifestação de uma energia viva e actuante ou um requiem?

O encontro de militantes, com honras de sala de espectáculo, trará à história recente da Juventude Popular e do Centro Democrático Social mais do que a costumeira toada de discursos vazios? A sempre presente invocação da democracia cristã deixará de ser uma fórmula cerimonial para se traduzir na afirmação comprometida e filosoficamente fundada de uma ideia de homem e no repúdio em voz alta e solene de todas as ideologias que calcam aos pés a dignidade transcendente da pessoa? Pode esta Juventude ser ainda a candeia que jaz debaixo do alqueire ou é apenas uma jotinha parasitada por gente conotada com esta ou aquela classe social que, para além de saber tocar piano e falar francês, tem que militar na Juventude Popular para quadrar bem com os cortinados da sala? O CDS, e à sua semelhança, a Juventude Popular, viu diluída a sua cor própria na paleta de cores da política portuguesa, não exigindo mais coragem ou convicção a quem quer que seja que milite sob a sua bandeira.

Não tenho motivos para pensar que alguma coisa mudará esta noite. Gostava de ver hoje uma Juventude que constituísse factor de renovação – ou de reanimação – do Partido, que falasse e actuasse com irreverência iconoclasta sobre o estado presente de coisas no CDS e em Portugal. Isto seria um sinal de esperança. Infelizmente, não será isso o que verei. Não me verão, pois, a mim, no São Luís, a aplaudir a trama monocórdica que subirá ao palco.

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