terça-feira, 8 de abril de 2014

O poliamor


Aquilo que hoje se designa com a palavra poliamor é a ideia de que se pode amar a mais do que uma mulher como se fosse a única e a mais do que um homem como se fosse o único. É evidente que é isto que se quer dizer, porque a palavra «amor» é entendida no sentido corrente do amor que faz com que um homem e uma mulher subam juntos a um altar. Mas também é evidente que é isto que não se pode dizer, porque não é possível amar alguém como se fosse o único se não se ama alguém como se fosse o único. A dedicação exclusiva de um homem a uma mulher e de uma mulher a um homem, com tudo o que ela implica, é alguma coisa essencialmente distinta daquilo que possa ser o poliamor.

O fenómeno de poliamor não é mais do que o fenómeno da poligamia, só que explicado numa linguagem que sensibiliza mais a nossa contemporaneidade. Murmura-se hoje contra a monogamia, argumentando que é uma instituição arcaica. Por outro lado, há quem defenda a poligamia declarando que é uma instituição ainda mais arcaica, afirmando mesmo que é o arquétipo da família primitiva. Decerto que o casamento realizado na sua forma tradicional, pintado com as cores de uma experiência cultural milenar, envolve também a afirmação da monogamia; mas a cultura é, precisamente, o afastamento da barbárie pelo desenvolvimento intelectual e moral do homem. A certo ponto da sua história comum os homens e as mulheres deverão ter percebido que a poligamia não realiza melhor aquilo que buscam uns nos outros; deverão ter percebido que se pode ter muitos homens e muitas mulheres sem se chegar a saber o que é um homem e uma mulher.

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